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15/2/2007 - Cummins e MWM miram venda interna

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Cummins e MWM miram venda interna

andré barros

Os dois maiores fabricantes de motores a diesel do Brasil, a Cummins e a MWM International, têm estratégias semelhantes para 2007. Com o real valorizado e o mercado interno aquecido, reduzirão as exportações de motores, concentrando-se nas vendas domésticas, e seguirão fornecendo componentes para o exterior, buscando ampliar as vendas externas para aumentar o faturamento com os embarques.

A Cummins prepara a expansão da capacidade de produção de cabeçotes em sua planta de Guarulhos (SP), parte dos US$ 55 milhões que a empresa investirá no Brasil nos próximos dois anos. Inicialmente, a planta podia produzir 70 mil peças por ano. Com a ampliação, chegará a 100 mil cabeçotes anuais, destinados a motores eletrônicos produzidos aqui, nos Estados Unidos e na Inglaterra. "A exportação de cabeçotes vai compensar, no faturamento, a redução prevista nos embarques dos motores", diz Luis Pasquotto, diretor Técnico e Comercial da companhia. No ano passado foram exportados 15 mil motores, um crescimento de 14% sobre 2005. O faturamento com as vendas externas cresceu 53%, somando US$ 142 milhões — somente os embarques de componentes cresceram 200%.

Inicialmente, a empresa planejava reduzir o número de embarques de motores para 5 mil. Mas Pasquotto conta que há fábricas nos Estados Unidos e na Inglaterra chegando no topo da capacidade, o que poderá fazer com que a planta paulista direcione o dobro do volume inicial para o exterior. Portanto, a previsão inicial de produzir 70 mil motores em Guarulhos este ano, igualando o resultado dos dois últimos anos, tem grandes chances de ser superada.

"As últimas notícias dão a impressão de que iremos ultrapassar a expectativa inicial", afirma o diretor. Mas nada que assuste, pois a planta tem capacidade de produzir 80 mil motores por ano.

Do total produzido pela Cummins em 2006, 46 mil motores foram para a área automotiva, 18 mil para construção civil, 2 mil para a agrícola e 4 mil para energia. O seu faturamento anual na América Latina somou US$ 739 milhões, 21% acima do obtido em 2005. A empresa credita o crescimento à venda de produtos de maior valor agregado.

A MWM International fechou o último ano fiscal — que compreende o período de novembro de 2005 a outubro de 2006 — com a produção de 125 mil motores, com as exportações totalizando 38,7 mil. O faturamento líquido ficou 7% superior ao período anterior, totalizando US$ 718 milhões. A empresa atua nas áreas automotiva, industrial, agrícola e marítima. A previsão para 2007 é produzir 126 mil motores. A aposta é no segmento agrícola nacional, segundo o gerente de Vendas e Marketing, Roberto Alves dos Santos. "É uma área que crescerá bastante", diz.

Assim como a Cummins, a MWM International focará as vendas no mercado interno, reduzindo as exportações de motores e elevando a de componentes.

China

Visando o promissor mercado chinês, a MWM International assinou nas últimas semanas um acordo de transferência de tecnologia com os asiáticos. Segundo Santos, ele é composto por três fases. Na primeira, iniciada nos primeiros meses deste ano, a companhia enviará motores completos para veículos comerciais leves. Até o final do ano, eles deverão ser enviados em regime de CKD (peças desmontadas), iniciando um trabalho de desenvolvimento local. Por fim, entre os anos de 2009 e 2010, devem começar a produção anual de cerca de 45 mil unidades na China.

"Não substitui nenhum negócio do Brasil. É somente a entrada em um novo mercado", explica o executivo. Segundo ele, a estratégia poderá ser repetida com outros países, como Índia, Rússia e Tailândia. "A exportação de tecnologia é o novo grande negócio" diz. Ele conta que os fornecedores também não sairão perdendo, pois estes acordos permitem que aumente o volume de embarques para os novos mercados.

Tanto que os fornecedores da Cummins lucraram cerca de US$ 250 milhões em 2006 com os embarques. A empresa, que está há 20 anos presente na China, demonstra preocupação com a chegada de uma forte concorrente. "De início não vemos um grande impacto. Temos base sólida na China, com mais de 20 instalações e uma joint venture com a Beiqi Foton Motor. Mas sempre devemos olhar com cuidado quando um concorrente entra num mercado onde atuamos", diz Pasquotto.

Regras de emissões

Tanto a Cummins quanto a MWM International se dizem prontas para a nova regra de emissão de poluentes, prevista para entrar no mercado brasileiro em 2009. "Como os Estados Unidos e a União Européia estão um passo à frente do Brasil, temos a tecnologia atualizada e totais condições de atender ao mercado nacional", diz Santos, da MWM. Pasquotto, da Cummins, se diz preocupado com a viabilidade econômica, mas garante estar preparado para a nova regra. d

Fonte: D C I