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Cummins e MWM
miram venda interna
andré barros
Os dois maiores fabricantes de
motores a diesel do Brasil, a Cummins e a MWM International, têm
estratégias semelhantes para 2007. Com o real valorizado e o
mercado interno aquecido, reduzirão as exportações de motores,
concentrando-se nas vendas domésticas, e seguirão fornecendo
componentes para o exterior, buscando ampliar as vendas externas
para aumentar o faturamento com os embarques.
A Cummins prepara a expansão da
capacidade de produção de cabeçotes em sua planta de Guarulhos
(SP), parte dos US$ 55 milhões que a empresa investirá no
Brasil nos próximos dois anos. Inicialmente, a planta podia
produzir 70 mil peças por ano. Com a ampliação, chegará a 100
mil cabeçotes anuais, destinados a motores eletrônicos
produzidos aqui, nos Estados Unidos e na Inglaterra. "A
exportação de cabeçotes vai compensar, no faturamento, a
redução prevista nos embarques dos motores", diz Luis
Pasquotto, diretor Técnico e Comercial da companhia. No ano
passado foram exportados 15 mil motores, um crescimento de 14%
sobre 2005. O faturamento com as vendas externas cresceu 53%,
somando US$ 142 milhões somente os embarques de
componentes cresceram 200%.
Inicialmente, a empresa
planejava reduzir o número de embarques de motores para 5 mil.
Mas Pasquotto conta que há fábricas nos Estados Unidos e na
Inglaterra chegando no topo da capacidade, o que poderá fazer
com que a planta paulista direcione o dobro do volume inicial
para o exterior. Portanto, a previsão inicial de produzir 70 mil
motores em Guarulhos este ano, igualando o resultado dos dois
últimos anos, tem grandes chances de ser superada.
"As últimas notícias dão
a impressão de que iremos ultrapassar a expectativa
inicial", afirma o diretor. Mas nada que assuste, pois a
planta tem capacidade de produzir 80 mil motores por ano.
Do total produzido pela Cummins
em 2006, 46 mil motores foram para a área automotiva, 18 mil
para construção civil, 2 mil para a agrícola e 4 mil para
energia. O seu faturamento anual na América Latina somou US$ 739
milhões, 21% acima do obtido em 2005. A empresa credita o
crescimento à venda de produtos de maior valor agregado.
A MWM International fechou o
último ano fiscal que compreende o período de novembro
de 2005 a outubro de 2006 com a produção de 125 mil
motores, com as exportações totalizando 38,7 mil. O faturamento
líquido ficou 7% superior ao período anterior, totalizando US$
718 milhões. A empresa atua nas áreas automotiva, industrial,
agrícola e marítima. A previsão para 2007 é produzir 126 mil
motores. A aposta é no segmento agrícola nacional, segundo o
gerente de Vendas e Marketing, Roberto Alves dos Santos. "É
uma área que crescerá bastante", diz.
Assim como a Cummins, a MWM
International focará as vendas no mercado interno, reduzindo as
exportações de motores e elevando a de componentes.
China
Visando o promissor mercado
chinês, a MWM International assinou nas últimas semanas um
acordo de transferência de tecnologia com os asiáticos. Segundo
Santos, ele é composto por três fases. Na primeira, iniciada
nos primeiros meses deste ano, a companhia enviará motores
completos para veículos comerciais leves. Até o final do ano,
eles deverão ser enviados em regime de CKD (peças desmontadas),
iniciando um trabalho de desenvolvimento local. Por fim, entre os
anos de 2009 e 2010, devem começar a produção anual de cerca
de 45 mil unidades na China.
"Não substitui nenhum
negócio do Brasil. É somente a entrada em um novo
mercado", explica o executivo. Segundo ele, a estratégia
poderá ser repetida com outros países, como Índia, Rússia e
Tailândia. "A exportação de tecnologia é o novo grande
negócio" diz. Ele conta que os fornecedores também não
sairão perdendo, pois estes acordos permitem que aumente o
volume de embarques para os novos mercados.
Tanto que os fornecedores da
Cummins lucraram cerca de US$ 250 milhões em 2006 com os
embarques. A empresa, que está há 20 anos presente na China,
demonstra preocupação com a chegada de uma forte concorrente.
"De início não vemos um grande impacto. Temos base sólida
na China, com mais de 20 instalações e uma joint venture com a
Beiqi Foton Motor. Mas sempre devemos olhar com cuidado quando um
concorrente entra num mercado onde atuamos", diz Pasquotto.
Regras de emissões
Tanto a Cummins quanto a MWM
International se dizem prontas para a nova regra de emissão de
poluentes, prevista para entrar no mercado brasileiro em 2009.
"Como os Estados Unidos e a União Européia estão um passo
à frente do Brasil, temos a tecnologia atualizada e totais
condições de atender ao mercado nacional", diz Santos, da
MWM. Pasquotto, da Cummins, se diz preocupado com a viabilidade
econômica, mas garante estar preparado para a nova regra. d