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5/10/2006 - GM Brasil deve fechar 2006 no azul, após 7 anos de prejuízo

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GM Brasil deve fechar 2006 no azul, após 7 anos de prejuízo

A melhora no balanço da montadora é resultado de um forte trabalho de redução de custos iniciado há alguns anos

Beth Moreira

SÃO PAULO - Depois de sete anos no prejuízo, a General Motors do Brasil deverá fechar 2006 no azul. Não será um resultado expressivo, mas mostra uma tendência positiva para a empresa, segundo avaliação do vice-presidente da montadora, José Carlos Pinheiro Neto. Apesar de não revelar números, o executivo explica que a melhora no balanço é resultado de um forte trabalho de redução de custos iniciado há alguns anos.

"Tivemos que reduzir os custos para enfrentar a enorme competição do setor tanto no mercado interno quanto nas exportações", afirma. O executivo lembra que há quatro anos havia apenas quatro montadoras instaladas no Brasil e atualmente são 17.

Os resultados negativos da empresa, no entanto, se devem a diversas razões. O câmbio extremamente desfavorável à exportação é um deles, segundo Pinheiro Neto. "Nenhuma exportação atualmente é vantajosa. Independentemente do modelo, o resultado é negativo", justifica.

A baixa rentabilidade da operação é um dos motivos que levaram a empresa a decidir não exportar o seu recém-lançado modelo, Prisma, desenvolvido inteiramente no Brasil. "Chegamos a apresentar desenhos do modelo fora do País, mas com o dólar a R$ 2,20 a operação fica inviabilizada", informa.

A previsão da montadora é de obter neste ano uma receita de US$ 1,6 bilhão com exportação, mesma cifra alcançada no ano passado. O volume, no entanto, deverá cair entre 25% e 30%, ante as 208 mil unidades vendidas ao mercado externo em 2005. "Elevamos o preço dos produtos em 30% em média, para compensar o câmbio e a conseqüência disso foi a redução das vendas em volume", afirma.

Segundo o vice-presidente da GM no Brasil, a expectativa é de que o volume se mantenha estável em 2007, quando o mercado financeiro prevê câmbio no patamar de R$ 2,40. Para Pinheiro Neto, a exportação só volta a ser interessante para a empresa a partir de um dólar a R$ 2,70. Segundo ele, com a moeda a R$ 2,60 já conseguiria empatar seu resultado.

Estratégia

O executivo fez questão de frisar, no entanto, que o fechamento de fábricas não faz parte da estratégia de recuperação da empresa. "Desligamos 900 funcionários em São José dos Campos (SP), mas contratamos 970 em Gravataí e estamos em fase de contratação de 300 novos engenheiros para a unidade de São Caetanos do Sul", afirma.

De acordo com Pinheiro Neto, os engenheiros de desenvolvimento da GM no Brasil trabalham atualmente no projeto do Hummer 3, com volante do lado direito. O automóvel deverá ser produzido na África do Sul e ser vendido nos mercados da Europa que utilizam esse tipo de direção. "Não podemos nos esquecer que estamos em um mercado globalizado."

Segundo o executivo, há vários grupos de estudos na empresa avaliando formas para melhorar o desempenho da montadora. Estender o modelo de produção de Gravataí (RS) para as outras unidades é uma delas. O complexo, que agrupa 21 sistemistas, que trabalham na entrega "just in time" para a companhia, é extremamente automatizado e conta atualmente com 150 robôs nas linhas de produção.

A unidade gaúcha, assim como a de São Caetano, trabalha a plena capacidade. Já a planta de São José dos Campos mantém certa ociosidade. O índice não foi revelado pelo executivo. "Estamos adequando a produção de acordo com a necessidade e comportamento do mercado", afirma.

A expectativa é de que a empresa feche 2006 com cerca de 400 mil unidades vendidas, o que representa um crescimento de 14%, patamar registrado no acumulado entre janeiro e setembro deste ano. A participação de 22% do mercado total (carros de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões) mantida até agora também deverá permanecer. O índice é maior do que o previsto para o mercado, de 11%.

O índice de confiança do consumidor é fundamental para o crescimento da indústria automobilística no Brasil, avalia o executivo. Ele explica que entre 70% e 80% das vendas são feitas a prazo, sejam por meio de consórcio, cheques pré-datados ou financiamento.

GM lança o Prisma, para concorrer com veículos pequenos

O desenvolvimento do produto, e a duplicação da capacidade da unidade de Gravataí (RS), levaram 18 meses e consumiram US$ 240 milhões em investimentos

Beth Moreira

SÃO PAULO - Após 18 meses e investimentos de US$ 240 milhões, utilizados no desenvolvimento do produto e na duplicação da capacidade da unidade de Gravataí (RS), onde o modelo será produzido, a General Motors (GM) apresentou nesta quarta-feira à imprensa o seu novo sedã, o Prisma, com motor 1.4 flex. O modelo é uma aposta da empresa para elevar sua participação no mercado de veículos pequenos, um segmento que cresce 60% ao ano no Brasil.

De acordo com o diretor de Marketing da empresa, Samuel Russel, a expectativa é de que o novo modelo alcance um volume de vendas entre 2 mil e 2,5 mil unidades ao mês até o final do ano. "O que deve atrair o consumidor no primeiro momento é a novidade, mas em uma segunda fase deve contar a relação custo benefício", afirma.

O Prisma participará do segmento dos veículos sedãs não populares, ou seja, com motorização acima de 1.0 litro. Esta categoria, especificamente, registrou um crescimento expressivo nas vendas, de 107% nos últimos três anos no País.

Segundo o executivo, a pequena diferença de preço entre os modelos 1.0 deverá atrair o consumidor que procura maior potência e mais espaço no porta-malas. Russel explica que a diferença de custo pode ser facilmente absorvida nos prazos extensos de financiamento oferecidos atualmente. "Hoje, 60% dos carros são vendidos com financiamento e essa diferença de preço poderá ser diluída nesse prazo", avalia.

Russel destaca que o carro, 100% desenvolvido pelos designers e engenharia da General Motors do Brasil, não vem para substituir o Classic (sedã mais barato oferecido pela empresa), mas para complementar a linha oferecida pela companhia atualmente, que conta também com o Corsa, Astra, Vectra e Ômega.

O sedã de porte pequeno, que chega ao mercado com preços entre R$ 29,990 mil (versão Joy) e R$ 35,940 mil (versão Maxx), deve competir diretamente com as versões sedã do Fiesta (Ford), Siena (Fiat), Pólo (Volkswagen) e Clio (Renault). O novo modelo da GM poderá ser visto pelo consumidor no Salão Internacional do Automóvel 2006, que acontecerá entre os dias 19 e 29 de outubro, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Logo após o evento, o veículo estará disponível nas concessionárias.

Gravataí

De acordo com o diretor de produção do complexo da GM em Gravataí, Cláudio Eboli, os recursos investidos na unidade elevaram a capacidade para 230 mil veículos por ano, ante 120 mil mantida anteriormente. Segundo ele, atualmente a unidade trabalha em dois turnos com uma produção de 40,5 carros por hora. O complexo, inaugurado em 2000, emprega 2,1 mil funcionários diretos e outros 2 mil indiretos que trabalham para 21 sistemistas que atendem a empresa "just in time".

Além de Gravataí, a GM possui unidades produtivas em São Caetano, na grande São Paulo, e em São José dos Campos, no interior do Estado. No ano passado, a empresa produziu 570 mil veículos, volume que deverá se repetir em 2006. A previsão leva em conta a redução das exportações neste ano, afetadas pelo câmbio, o que reduziu a rentabilidade da operação.

Em 2005, a empresa exportou 208 mil unidades para mais de 40 países, com receita de US$ 1,6 bilhão. A expectativa é de que neste ano o faturamento com as vendas externas se mantenha no mesmo patamar. O total de unidades de automóveis exportados, no entanto, deve ser reduzido.

Fonte: O Estado de S.Paulo