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20/9/2006 - Fabricantes de fontes demitem e paralisam projetos

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Fabricantes de fontes demitem e paralisam projetos

De São Paulo

As mudanças no Processo Produtivo Básico (PPB) da computação estão mexendo com os nervos dos fabricantes de fontes. Embora as regras estejam em vigência até 31 de dezembro - podendo ser alteradas ou mantidas no ano que vem -, fornecedores desses componentes já estão sentindo na carne os reflexos da situação. A FIC Phihong, que desde 2000 fabrica fontes em Santa Rita do Sapucaí (MG), tomou a decisão mais drástica de fechar sua fábrica de fontes, o que levará à demissão de 500 pessoas, 20% de sua força de trabalho.

A gaúcha Kmex, que injetou US$ 300 mil em três linhas de produção para fontes, fora os gastos com treinamento de pessoal, suspendeu por tempo indeterminado qualquer possibilidade de colocar sua operação em atividade. "Temos tudo pronto, mas já não sei se entraremos em produção. Hoje não vejo qualquer benefício nisso", diz o diretor comercial da empresa, Alexandre Fábio Prato.

Para o presidente da FIC Phihong no Brasil, Luciano Lamoglia, a inclusão do disco rígido entre os componentes ligados ao PPB "privilegiou apenas uma empresa", enquanto o mercado de fontes, que hoje é mais pulverizado no país, foi deixado de lado. "As regras precisam mudar. Toda a cadeia está sendo afetada", comenta.

Segundo o executivo, um agravante da situação diz respeito ao número de postos de trabalho atrelados à produção dos componentes, fator de peso para criação dos PPBs. Nos cálculos da Phihong, enquanto a produção diária de 500 unidades de discos precisaria de 12 postos de emprego por linha de produção - devido à forte automatização de processos nesse setor -, a fabricação diária de 400 unidades de fontes (seguindo as regras do PPB) necessitaria de aproximadamente 100 pessoas em cada linha de montagem.

Para Young Moo Park, presidente da Unicoba, empresa que tem fábrica de fontes em Manaus, o que realmente precisa ser revisto é a PPB para fontes. "É preciso rediscutir as regras dessa área. Do jeito que está não é viável, não somos competitivos", comenta.

Apesar das manifestações, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) discorda da tese de que as regras atuais não privilegiem a geração de empregos. Uma das propostas, segundo o diretor superintendente da Abinee, Dário Bampa, é atrair novas empresas ligadas à produção de disco rígido para o país. "É um jogo de interesses, mas tudo está sendo discutido agora, junto dos fabricantes de computadores e de seus componentes", comenta.

Em entrevista ao Valor, um executivo do alto escalão de uma das principais fabricantes de PCs do país, que prefere não se identificar, critica a posição dos fornecedores de fontes. "Isso tudo é muito choro. Antes da portaria é que você tinha um monopólio. Essa indústria de fontes ditava o preço", comenta.

Para além das discussões em torno das fontes, a diretoria da FIC Phihong no Brasil teme que as políticas para componentes eletroeletrônicos também atinjam a área de telefonia celular.

Atualmente, segundo Luciano Lamoglia, as companhias de celulares têm de comprar 100% dos seus carregadores no Brasil e 60% das baterias. "Eles querem passar a comprar apenas 60% dos carregadores e 40% das baterias. E algumas empresas já começaram a suspender seus pedidos", diz.

Se isso se confirmar, comenta, outros 500 profissionais correm o risco de demissão até novembro. Hoje a FIC vende componentes de celulares para empresas como LG, Motorola e Samsung.(AB)

Fonte: Valor