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Fabricantes
de fontes demitem e paralisam projetos
De São Paulo
As mudanças no Processo
Produtivo Básico (PPB) da computação estão mexendo com os
nervos dos fabricantes de fontes. Embora as regras estejam em
vigência até 31 de dezembro - podendo ser alteradas ou mantidas
no ano que vem -, fornecedores desses componentes já estão
sentindo na carne os reflexos da situação. A FIC Phihong, que
desde 2000 fabrica fontes em Santa Rita do Sapucaí (MG), tomou a
decisão mais drástica de fechar sua fábrica de fontes, o que
levará à demissão de 500 pessoas, 20% de sua força de
trabalho.
A gaúcha Kmex, que injetou US$
300 mil em três linhas de produção para fontes, fora os gastos
com treinamento de pessoal, suspendeu por tempo indeterminado
qualquer possibilidade de colocar sua operação em atividade.
"Temos tudo pronto, mas já não sei se entraremos em
produção. Hoje não vejo qualquer benefício nisso", diz o
diretor comercial da empresa, Alexandre Fábio Prato.
Para o presidente da FIC Phihong
no Brasil, Luciano Lamoglia, a inclusão do disco rígido entre
os componentes ligados ao PPB "privilegiou apenas uma
empresa", enquanto o mercado de fontes, que hoje é mais
pulverizado no país, foi deixado de lado. "As regras
precisam mudar. Toda a cadeia está sendo afetada", comenta.
Segundo o executivo, um
agravante da situação diz respeito ao número de postos de
trabalho atrelados à produção dos componentes, fator de peso
para criação dos PPBs. Nos cálculos da Phihong, enquanto a
produção diária de 500 unidades de discos precisaria de 12
postos de emprego por linha de produção - devido à forte
automatização de processos nesse setor -, a fabricação
diária de 400 unidades de fontes (seguindo as regras do PPB)
necessitaria de aproximadamente 100 pessoas em cada linha de
montagem.
Para Young Moo Park, presidente
da Unicoba, empresa que tem fábrica de fontes em Manaus, o que
realmente precisa ser revisto é a PPB para fontes. "É
preciso rediscutir as regras dessa área. Do jeito que está não
é viável, não somos competitivos", comenta.
Apesar das manifestações, a
Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica
(Abinee) discorda da tese de que as regras atuais não
privilegiem a geração de empregos. Uma das propostas, segundo o
diretor superintendente da Abinee, Dário Bampa, é atrair novas
empresas ligadas à produção de disco rígido para o país.
"É um jogo de interesses, mas tudo está sendo discutido
agora, junto dos fabricantes de computadores e de seus
componentes", comenta.
Em entrevista ao Valor, um
executivo do alto escalão de uma das principais fabricantes de
PCs do país, que prefere não se identificar, critica a
posição dos fornecedores de fontes. "Isso tudo é muito
choro. Antes da portaria é que você tinha um monopólio. Essa
indústria de fontes ditava o preço", comenta.
Para além das discussões em
torno das fontes, a diretoria da FIC Phihong no Brasil teme que
as políticas para componentes eletroeletrônicos também atinjam
a área de telefonia celular.
Atualmente, segundo Luciano
Lamoglia, as companhias de celulares têm de comprar 100% dos
seus carregadores no Brasil e 60% das baterias. "Eles querem
passar a comprar apenas 60% dos carregadores e 40% das baterias.
E algumas empresas já começaram a suspender seus pedidos",
diz.
Se isso se confirmar, comenta,
outros 500 profissionais correm o risco de demissão até
novembro. Hoje a FIC vende componentes de celulares para empresas
como LG, Motorola e Samsung.(AB)