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Após três anos de crise,
negócios crescem 67,5% no primeiro trimestre
Varejo de PCs
retoma fôlego no país
João Luiz Rosa e Ricardo Cesar
De São Paulo
Após três anos de crise, um
negócio que parecia "micado" dá sinais de que pode
voltar a ser atraente no Brasil: a venda de computadores pessoais
no varejo. Segundo estudo da consultoria IDC, no primeiro
trimestre do ano as vendas do setor saltaram 67,5% em relação a
igual período de 2004. Trata-se da maior expansão verificada
entre todos os canais de comercialização de computadores
pessoais no país, que inclui ainda revendas técnicas, vendas
diretas, televendas e os negócios via internet.
Com isso, a consultoria já
considera viável a comercialização de aproximadamente 500 mil
unidades no varejo em 2005, contra 400 mil em 2004. Seria o
primeiro ano com resultados altamente positivos para o setor
desde 2001, segundo Denis Gaia, analista da IDC. Mesmo alertando
que o crescimento é significativo, Gaia lembra que o varejo
responde por apenas cerca de 10% das vendas totais de
computadores pessoais no país.
As boas perspectivas ainda não
contabilizam o impacto do programa PC Conectado, do governo
federal, que pode ser o empurrão definitivo para que o segmento
deslanche. A iniciativa deve criar mecanismos de financiamento
via BNDES para os varejistas, que repassariam as condições
vantajosas ao consumidor. "Sabemos que a sociedade
brasileira responde à oferta de crédito", diz Marcelo
Bazzali, diretor de gestão da categoria eletro do Extra.
"Mas, independente do governo, esperamos um forte
crescimento nas vendas de PCs."
Desde 2001, a comercialização
de computadores pessoais no varejo nacional vinha sendo
considerada uma atividade pouco atraente. O negócio, de margens
apertadas, esbarra em dois problemas: o predomínio do mercado
cinza - cujas máquinas montadas com peças contrabandeadas e
software pirata representam 74% das vendas, segundo a consultoria
IDC -, e a conseqüente saída das marcas tradicionais. O mercado
de varejo no Brasil já chegou a contar com produtos da IBM, HP e
Itautec, entre outras. Nos últimos três anos, todas desistiram.
Como o setor reagiu a essa
situação? A resposta é que os varejistas não ficaram inertes.
As redes de hipermercados, lojas que trabalham com
eletroeletrônicos e o comércio especializado costuraram acordos
com pequenos fornecedores brasileiros de PCs, como Positivo e
Novadata, que ocuparam o vácuo deixado pelas marcas mais
famosas. Estratégias de crédito foram montadas para atender ao
consumidor, investiu-se em marketing, equipes de atendimento com
conhecimento dos produtos e acordos com empresas que fornecem
suporte técnico. A queda do dólar - mesmo quando montados no
Brasil, muitos componentes dos computadores são importados - e o
bom desempenho da economia nos últimos 12 meses deram uma
contribuição importante.
Com isso, o Magazine Luiza, por
exemplo, fechou o mês de maio com um aumento de 140%, em
receita, nas vendas de PCs. E já prepara outro exemplo da
criatividade do varejo para driblar as adversidades: o PC
pré-pago, em parceria com a Microsoft, que escolheu o Brasil
para testar o modelo. O consumidor pode levar o equipamento para
casa por R$ 600. Depois, com cartões que trazem um código que
ativa a máquina, ele paga de acordo com o uso que faz dos PCs.
Sem uma solução tão radical
como a Magazine Luiza, o Extra - atualmente o maior varejista de
informática do Brasil - oferece alternativas mais simples que
têm surtido efeito. Exemplo disso é a oferta de computadores
sem monitores. A ação, voltada para o consumidor que está
comprando uma nova máquina, permite uma economia de R$ 400 para
quem preferir manter o monitor antigo. "É uma opção a
mais que oferecemos", diz Bazzali, do Extra.v