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24/12/2007 - Produção de aço arrasa a China

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Produção de aço arrasa a China

Joseph Kahn Mark Landler The New York Times

Quando moradores do Norte da cidade chinesa de Handan penduram suas roupas para secar, a poeira da fábrica Handan Iron and Steel geralmente faz com que elas voltem para lavagem. Mundo afora, vizinhos da antiga fábrica de aço da ThyssenKrupp, no Vale Ruhr na Alemanha, tiveram um problema similar. As camisas brancas que os homens vestem para ir à igreja aos domingos ficam cinzas até chegarem em casa.

Essas duas "cidades do aço" possuem uma ligação incomum, atravessando 8 mil km e uma década de reviravolta econômica. Elas dividem a mesma fornalha que libera muita fumaça, desmantelada e transportada pedaço por pedaço do antigo coração industrial alemão para a província de Hebei, o novo Vale Ruhr chinês.

A transferência, uma das dezenas ocorridas desde a década de 90, contribuiu para o boom de produção de aço na China, que agora excede a da Alemanha, Japão e Estados Unidos juntos. Isso deixou a Alemanha com menos empregos e um arrependimento pós-industrial.

Emissores

Mas as fábricas de aço que poluem o ar e consomem muita eletricidade das usinas chinesas movidas a carvão são responsáveis por grande parte das emissões de dióxido de enxofre e de carbono.

A Alemanha, pelo contrário, tem limpado o céu e agora está liderando o combate ao aquecimento global.

Em sua corrida para recriar a revolução industrial que tornou o Ocidente rico, a China absorveu a maioria das grandes indústrias que poluíram o Ocidente. Estimuladas por forte apoio estatal, as empresas chinesas se tornaram as fabricantes líderes de aço, refrigerante de cola, alumínio, cimento, produtos químicos, couro, papel e outros produtos que encontram altos custos, incluindo regras ambientais mais severas, em outras partes do mundo. A China se tornou a fábrica do mundo, assim como sua chaminé.

Essa mudança massiva das indústrias poluentes tem atrapalhado o crescimento econômico da China. Taxas de crescimento de dois dígitos não têm ajudado muito a melhorar as vidas das pessoas quando os danos para o ar, a terra, a água e a saúde humana são considerados, segundo alguns economistas. Equipamentos de produção obsoletos terão de ser substituídos ou aperfeiçoados a um alto custo se o país pretende reduzir a poluição.

A piora do meio ambiente da China levantou a geopolítica do aquecimento global. Ela produz e exporta tantos produtos que já foram feitos no Ocidente que os países ricos podem se gabar de reduzir as emissões de carbono, mesmo quando as emissões mundiais sobem rapidamente.

A China também carece de recursos naturais, incluindo minério de ferro, petróleo e madeira, para a indústria pesada e sua crescente classe consumidora. O seu crescimento prejudica o meio ambiente tanto quanto o do Canadá, Brasil, Austrália e Indonésia, de onde compra matéria-prima transportada por navios.

Desemprego

O Vale Ruhr na cidade Dortmund, onde a ThyssenKrupp fabricava aço, ainda sofre de alta taxa de desemprego devido a perda de empregos para países com mão-de- obra mais barata como a China. Mas os alemães podem comprar iPods, máquinas de lavar roupas e navios cargueiros produzidos na China a preços que, devido ao frouxo controle da poluição, não refletem o custo ambiental. O deslocamento das indústrias poluentes deram a eles água e ar mais limpos.

- Parece que a China está cometendo todos os erros que cometemos no século 19 - disse Wilhelm Grote, regulador ambiental em Dortmund, que lembra de lavar o carro do pai quando era criança, só para vê-lo imediatamente coberto por fuligem. - Eles vão descobrir que é muito mais caro reparar o erro do que agir corretamente desde o início.

Tendo ignorado as conseqüências ambientais de seu júbilo industrial por anos, a liderança do Partido Comunista agora diz que está determinada a desenvolver um modelo econômico mais limpo. Pequim tentou implantar metas ambiciosas - apesar de impróprias - para aumentar a eficiência energética e reduzir as emissões.

Diretrizes

Oficiais dizem que eles estão especialmente preocupados com a sobrecarga do meio ambiente devido a produção de mais de U$ 1 trilhão de produtos todo ano para venda além mar. Do total de emissões de carbono da China, que segundo algumas estimativas agora excedem as emissões dos Estados Unidos, somente um terço faz parte da fabricação de produtos para consumidores estrangeiros, de acordo com a Agência Internacional de Energia - grupo de pesquisa e política energética em Paris.

A agência de planejamento central do país barrou a compra de alguns equipamentos industriais usados do exterior, exigindo que as companhias instalem sistemas de eficiência energética mais novos. Ela cancelou muitos incentivos para promover exportação, principalmente para companhias que consomem muita energia e poluem bastante. Oficiais alertaram as empresas que o desrespeito às leis ambientais vai custar a eles as suas licenças de exportação.

- Algumas empresas estão abusando do meio ambiente em troca de preços de exportação mais baixos - disse Chen Guanglong, ministro do Comércio, quando anunciou que tomará uma posição acerca dos poluidores no próximo outono. - Eles vendem os produtos no exterior, mas a poluição fica em casa.

Há poucos sinais, no entanto, de que os oficiais chineses estão realmente arrependidos de se tornarem o centro mundial da indústria pesada. Investimento em novas usinas e equipamentos para produção de aço, alumínio e cimento aumentaram bruscamente mesmo que os planejadores centrais alertem que o setor terá menos apoio do Estado. A exportação de aço da China para a União Européia deve dobrar. j

Fonte: Jornal do Brasil