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Produção de
aço arrasa a China
Joseph Kahn Mark Landler The New
York Times
Quando moradores do Norte da
cidade chinesa de Handan penduram suas roupas para secar, a
poeira da fábrica Handan Iron and Steel geralmente faz com que
elas voltem para lavagem. Mundo afora, vizinhos da antiga
fábrica de aço da ThyssenKrupp, no Vale Ruhr na Alemanha,
tiveram um problema similar. As camisas brancas que os homens
vestem para ir à igreja aos domingos ficam cinzas até chegarem
em casa.
Essas duas "cidades do
aço" possuem uma ligação incomum, atravessando 8 mil km e
uma década de reviravolta econômica. Elas dividem a mesma
fornalha que libera muita fumaça, desmantelada e transportada
pedaço por pedaço do antigo coração industrial alemão para a
província de Hebei, o novo Vale Ruhr chinês.
A transferência, uma das
dezenas ocorridas desde a década de 90, contribuiu para o boom
de produção de aço na China, que agora excede a da Alemanha,
Japão e Estados Unidos juntos. Isso deixou a Alemanha com menos
empregos e um arrependimento pós-industrial.
Emissores
Mas as fábricas de aço que
poluem o ar e consomem muita eletricidade das usinas chinesas
movidas a carvão são responsáveis por grande parte das
emissões de dióxido de enxofre e de carbono.
A Alemanha, pelo contrário, tem
limpado o céu e agora está liderando o combate ao aquecimento
global.
Em sua corrida para recriar a
revolução industrial que tornou o Ocidente rico, a China
absorveu a maioria das grandes indústrias que poluíram o
Ocidente. Estimuladas por forte apoio estatal, as empresas
chinesas se tornaram as fabricantes líderes de aço,
refrigerante de cola, alumínio, cimento, produtos químicos,
couro, papel e outros produtos que encontram altos custos,
incluindo regras ambientais mais severas, em outras partes do
mundo. A China se tornou a fábrica do mundo, assim como sua
chaminé.
Essa mudança massiva das
indústrias poluentes tem atrapalhado o crescimento econômico da
China. Taxas de crescimento de dois dígitos não têm ajudado
muito a melhorar as vidas das pessoas quando os danos para o ar,
a terra, a água e a saúde humana são considerados, segundo
alguns economistas. Equipamentos de produção obsoletos terão
de ser substituídos ou aperfeiçoados a um alto custo se o país
pretende reduzir a poluição.
A piora do meio ambiente da
China levantou a geopolítica do aquecimento global. Ela produz e
exporta tantos produtos que já foram feitos no Ocidente que os
países ricos podem se gabar de reduzir as emissões de carbono,
mesmo quando as emissões mundiais sobem rapidamente.
A China também carece de
recursos naturais, incluindo minério de ferro, petróleo e
madeira, para a indústria pesada e sua crescente classe
consumidora. O seu crescimento prejudica o meio ambiente tanto
quanto o do Canadá, Brasil, Austrália e Indonésia, de onde
compra matéria-prima transportada por navios.
Desemprego
O Vale Ruhr na cidade Dortmund,
onde a ThyssenKrupp fabricava aço, ainda sofre de alta taxa de
desemprego devido a perda de empregos para países com mão-de-
obra mais barata como a China. Mas os alemães podem comprar
iPods, máquinas de lavar roupas e navios cargueiros produzidos
na China a preços que, devido ao frouxo controle da poluição,
não refletem o custo ambiental. O deslocamento das indústrias
poluentes deram a eles água e ar mais limpos.
- Parece que a China está
cometendo todos os erros que cometemos no século 19 - disse
Wilhelm Grote, regulador ambiental em Dortmund, que lembra de
lavar o carro do pai quando era criança, só para vê-lo
imediatamente coberto por fuligem. - Eles vão descobrir que é
muito mais caro reparar o erro do que agir corretamente desde o
início.
Tendo ignorado as
conseqüências ambientais de seu júbilo industrial por anos, a
liderança do Partido Comunista agora diz que está determinada a
desenvolver um modelo econômico mais limpo. Pequim tentou
implantar metas ambiciosas - apesar de impróprias - para
aumentar a eficiência energética e reduzir as emissões.
Diretrizes
Oficiais dizem que eles estão
especialmente preocupados com a sobrecarga do meio ambiente
devido a produção de mais de U$ 1 trilhão de produtos todo ano
para venda além mar. Do total de emissões de carbono da China,
que segundo algumas estimativas agora excedem as emissões dos
Estados Unidos, somente um terço faz parte da fabricação de
produtos para consumidores estrangeiros, de acordo com a Agência
Internacional de Energia - grupo de pesquisa e política
energética em Paris.
A agência de planejamento
central do país barrou a compra de alguns equipamentos
industriais usados do exterior, exigindo que as companhias
instalem sistemas de eficiência energética mais novos. Ela
cancelou muitos incentivos para promover exportação,
principalmente para companhias que consomem muita energia e
poluem bastante. Oficiais alertaram as empresas que o desrespeito
às leis ambientais vai custar a eles as suas licenças de
exportação.
- Algumas empresas estão
abusando do meio ambiente em troca de preços de exportação
mais baixos - disse Chen Guanglong, ministro do Comércio, quando
anunciou que tomará uma posição acerca dos poluidores no
próximo outono. - Eles vendem os produtos no exterior, mas a
poluição fica em casa.
Há poucos sinais, no entanto,
de que os oficiais chineses estão realmente arrependidos de se
tornarem o centro mundial da indústria pesada. Investimento em
novas usinas e equipamentos para produção de aço, alumínio e
cimento aumentaram bruscamente mesmo que os planejadores centrais
alertem que o setor terá menos apoio do Estado. A exportação
de aço da China para a União Européia deve dobrar. j