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Venda de
caminhão tem nível recorde
Priscila Dal Poggetto
Do Diário do Grande ABC
Mais aquecido no segundo
semestre, o mercado de caminhões no Brasil ultrapassará a marca
de 90 mil unidades vendidas neste ano. Se a previsão das
montadoras de ano recorde for confirmada, o mercado crescerá
acima de 20%, já que no ano passado foram comercializados 76,2
mil caminhões.
"Nunca vivenciamos um
mercado desse de caminhões. Vai ser o recorde de todos os
tempo", afirma o gerente de Vendas da Volkswagen Caminhões
e Ônibus, Antônio Cammarosano.
Segundo ele, o fechamento do ano
não dependerá da demanda, e sim da capacidade produtiva das
montadoras. "Todas montadoras no limite", ressalta o
gerente.
Tanta aceleração é
justificada pelo crescimento em conjunto do agronegócio, da
construção civil, do transporte de mercadorias, em geral, com o
destaque para o setor de bebidas etc.
De acordo com o diretor das
Operações de Caminhões para a Ford América do Sul, Oswaldo
Jardim, a melhoria da renda e o aumento da disponibilidade de
crédito ajudaram a manter o mercado aquecido durante todo o ano.
"O trabalho consegue remunerar o investimento feito no
caminhão", afirma.
Desempenho - O comportamento do
setor, especialmente o dos segmentos pesados, é tão positivo,
que em agosto as empresas já atingiram marcas recordes. A Volks,
por exemplo, vendeu mais de 3 mil unidades no mês passado.
Já a Scania fechou o primeiro
semestre com a venda de 3,1 mil caminhões incremento de
38% sobre igual período de 2006. Com a marca, o Brasil se tornou
o maior mercado mundial de caminhões da montadora sueca. Ou
seja, ultrapassou a Alemanha, onde número de vendas chegou a 2,6
mil unidades da marca.
Após crescer 212,4% no segmento
de pesados de janeiro a agoto, em relação ao mesmo período do
ano passado, a Iveco (divisão da Fiat) confirmou investimento de
R$ 150 milhões até 2008. No total do mercado, que subiu 29,8%,
a Iveco cresceu 89,5%.
A Ford Caminhões aumentaram na
mesma proporção. No primeiro semestre, 10.643 unidades foram
comercializadas pela montadora no varejo e fizeram a
participação da Ford no mercado aumentar de 19,4% para 20,6%.
Locadora de São Bernardo
investirá R$ 50 mi em frota
Do Diário do Grande ABC
Cliente das montadoras, a
Rodobens Locação de Veículos, com filial em São Bernardo,
investirá neste semestre R$ 50 milhões em veículos, que
passará de 2.026 para 3.250 unidades. O valor da frota de
caminhões (9% do total de veículos) deverá ultrapassar R$ 28,8
milhões, segundo a empresa.
"Há lista de espera, mas
as locadoras já são clientes antigos, então existe
colaboração de ambas as partes", afirma o diretor da
Rodobens Locação, Nelson Belém. Segundo o executivo, apesar de
estar comprometida a logística de entrega de veículos, é
positivo para o mercado vender caminhões com prazo de três
meses. "O ideal é trabalhar com a venda futura, não vender
o estoque", observa.
Locação - Uma alternativa para
quem não pode aguardar nas listas das montadoras é a locação
de caminhões. De acordo com Nelson Belém, este conceito tem
sido incorporado pelas empresas faz cerca de cinco anos.
"O mercado está bastante
ativo, porque as taxas de juros de locação caíram de 20% para
13% ao ano", diz.
Devido à consolidação das
locações, a empresa espera fechar o ano com crescimento de
cerca 80% em volume de negócios, passando de mais de R$ 20
milhões no acumulado de 2006 para um valor estimado em R$ 36
milhões neste ano.
Lista de espera chega a cinco
meses no segmento de pesados
Do Diário do Grande ABC
No segmento de caminhões
pesados, a lista de espera já chega a cinco meses. "Os
modelos mais procurados são os para mineração,
cana-de-açúcar, construção civil e transporte de longo
percurso", afirma Oswaldo Jardim.
Apesar da longa fila, o diretor
da Ford Caminhões acredita que a falta de produto na
pronta-entrega não prejudica os clientes. "Para nossa
surpresa, o frotista está maduro, ele já faz planejamentos para
2008", afirma Jarim. Segundo o executivo, a Ford estuda caso
a caso a relevância de entrega, para não prejudicar os
clientes.
Por outro lado, Antônio
Cammarosano, da Volkswagen, considera "desgastante" a
situação das listas. "O cliente precisa esperar, mas não
está acostumado. Na Europa, o cliente aceita esperar porque ele
se programa para isso", afirma.
Segundo Cammarosano, a
Volkswagen tem grande pedido em carteira acumulado. "A
carteira deste ano está fechada e a entrega está
atrasada", constata.
A montadora tenta acelerar a
produção ao máximo, entretanto, esbarra na cadeia de
matéria-prima, que segundo ele, não reage. "Mexer a cadeia
inteira é muito difícil. Os fornecedores precisam expandir, mas
vai levar mais um ano para conseguirem aumentar a capacidade de
produção", observa o gerente de vendas da Volkswagen
Caminhões e Ônibus.
Previsão para 2008 é de
crescimento de até 10%
Do Diário do Grande ABC
A expectativa do setor é
crescer entre 5% e 10% em 2008. Entretanto, o mercado interno só
chegará em 100 mil unidades, se as fabricantes conseguirem
ajustar a produção.
"Este crescimento não é
por demanda reprimida. Não estávamos preparados para
crescimento desse porte.", afirma Antônio Cammarosano, da
Volkswagen.
As exportações da empresa,
inclusive, já são comprometidas pela demanda nacional. A Volks
exporta para o México e para África do Sul.
Segundo o gerente de vendas, a
empresa trabalha com dois turnos completos, mas não há
previsão de expansão da fábrica.
Em relação à capacidade
produtiva, a Ford também utiliza o potencial máximo.
"Trabalhamos na capacidade total, de 136 unidades por dia.
Para aumentar esse número, temos alternativas como horas extras,
turnos de sábado etc.", diz Oswaldo Jardim.
Já a Mercedes-Benz, que já
trabalhava com dois turnos, contratou entre maio e junho 450
novos funcionários em São Bernardo. Com a mesma estratégia, a
Iveco contratou neste ano 315 novos trabalhadores e abriu o
segundo turno na fábrica de Sete Lagoas (MG).dg