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Imposto de
importação sobe para manter competitividade
Furlan anunciou que TEC deve ser
elevada para têxteis, calçados e móveis
Renata Veríssimo
O governo quer aumentar o
imposto de importação para proteger setores que perderam
competitividade com a valorização do real frente ao dólar. O
ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
Luiz Fernando Furlan, anunciou ontem que deve ser elevada para
35% a Tarifa Externa Comum (TEC) para produtos dos setores
têxtil e confecções, calçados e móveis. A medida atenderia
à reivindicação dos empresários desses setores, os mais
afetados pela concorrência dos produtos importados,
principalmente da China.
Furlan disse que, antes do fim
de abril, o governo submeterá a proposta ao Grupo do Mercado
Comum (GMC) do Mercosul, e que, na sua avaliação, a medida
será implementada em 90 dias. 'Estamos transformando o pleito
setorial em linhas técnicas específicas da TEC', explicou. A
TEC é o imposto de importação aplicado sobre produtos
importados de países fora do Mercosul. Atualmente, a tarifa
média desses produtos é de 20%; no caso de móveis, 18%.
Apesar das medidas de apoio a
estes setores, que já receberam linhas de crédito especiais do
BNDES, Furlan acredita que a indústria já se adaptou ao novo
patamar da taxa de câmbio. 'A minha opinião é que os setores
se adaptaram e que não haverá mudança no patamar do câmbio no
período vindouro', disse o ministro, que participou ontem, na
Câmara dos Deputados, de seminário para discutir o Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC). Furlan afirmou que a taxa de
câmbio já encontrou uma 'razoável estabilidade' entre R$ 2,10
e R$ 2,20 por dólar.
O ministro disse que o comércio
exterior brasileiro continua crescendo de forma vigorosa a
despeito da taxa de câmbio, desmentindo previsões
catastróficas feitas no passado. Admitiu que ele próprio chegou
a acreditar, em 2005 e 2006, que as exportações seriam
prejudicadas. No entanto, as vendas externas em 2007 estão
crescendo 17% em relação a igual período de 2006. As
importações registram alta entre 25% e 27%.
Apesar de não admitir crise no
comércio exterior em função da perda de competitividade
causada pelo câmbio, o ministro disse que é fundamental para o
País reduzir os custos de infra-estrutura, ampliar investimentos
e a desoneração tributária e diminuir a burocracia.
Nesse sentido, Furlan acredita
que o PAC pode colocar o Brasil na rota do desenvolvimento
econômico. Mas alertou que, se as medidas do PAC não forem
aprovadas com rapidez pelo Congresso, o efeito 'pode ser residual
em 2007'. Segundo ele, o impacto pode ser expressivo no segundo
semestre, caso as medidas estejam aprovadas até o meio do ano.
Caso contrário, os resultados só devem ser sentidos a partir de
2008.
Furlan argumentou que nem o
setor privado nem o governo investirão enquanto as regras não
estiverem consolidadas. 'Enquanto as medidas estão sendo
discutidas, fica um clima de insegurança na vida real. Por isso,
é importante a agilização da tramitação das medidas na
Câmara', explicou. Segundo o ministro, para que haja crescimento
sustentado, é preciso que o País invista 25% do Produto Interno
Bruto (PIB). 'Faltam 4% do PIB para serem investidos', disse.
FRASES
Luiz Fernando Furlan
Ministro do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior
'A taxa de câmbio já encontrou
uma razoável estabilidade entre R$ 2,10 e R$ 2,20 por dólar'
'Enquanto as medidas estão
sendo discutidas, fica um clima de insegurança na vida real. Por
isso, é importante a agilização da tramitação das medidas' e