Resolução dos trabalhadores do Grupo Arcelor

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Resolução dos trabalhadores do Grupo Arcelor

Encontro realizado em Vespasiano, Minas Gerais

A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT e os sindicatos das empresas do grupo Arcelor Brasil se manifestam publicamente a respeito da OPA (Ofertas Públicas de Aquisição), lançada no dia 27 de janeiro, pela Mittal Steel ao Grupo Arcelor.

A Arcelor Brasil produz 9,5 milhões de toneladas de aço por ano, empregando 14,5 mil pessoas. De acordo com o presidente e diretor de aços planos da empresa, José Armando Campos, o grupo tem motivos de sobra para apostar pesado na Arcelor Brasil. 'São mais de U$ 4 bilhões de investimentos em curso. A controlada brasileira, no balanço de nove meses em 2005, respondeu por um terço de todo o resultado operacional (U$ 4,5 bilhões), além de 34,2% pelo lucro operacional (U$ 2,59 bilhões). O plano de médio e longo prazo da Arcelor Brasil, a começar pela fábrica de Monlevade (Minas Gerais), contempla investimentos vultuosos. Em valores atualizados, somariam cerca de U$ 2,5 bilhões', afirma Campos em entrevista ao Jornal Valor Econômico, em 23 de janeiro de 2006.

Na Europa, o presidente executivo da Arcelor, Guy Dollé, convocou em regime de urgência os membros do 'Comitê de Empresa Europeu (CEE)' para uma reunião no dia 28 de janeiro, em Luxemburgo. No Brasil, não houve nenhuma reunião, aviso ou comunicação por parte da presidência aos sindicatos.

A Mittal, que se reuniu com todos os sindicatos na Europa e com diversos governos - Espanha, França, Bélgica e Luxemburgo - ignorou o Brasil da mesma maneira. Lamentando esta atitude de desprezo por parte das direções dos dois grupos, os sindicatos decidiram se manifestar a respeito desta OPA.

Na ocasião do embate comercial das duas grandes potências na área de siderúrgica mundial, os trabalhadores latino-americanos acharam oportuno lembrar, às direções administrativas e executivas dos dois grupos, que nossos objetivos são diferentes, com visões opostas da conjuntura.

A criação de grandes grupos industriais corresponde unicamente a uma preocupação financeira: procurar mais dividendos para os seus acionistas. Este objetivo financeiro é contrário aos objetivos industriais e sociais desejados pelos trabalhadores. No sistema neoliberal de capitalismo financeiro praticado na atual globalização, os objetivos financeiros nunca correspondem aos industriais e sociais. Todo plano de fusão ou globalização se traduz por desemprego e racionalização da produção, nunca por socialização dos meios de produção.

Tanto a Arcelor como a Mittal são 'farinha do mesmo saco' e praticam a mesma política. Em cinco anos de existência, a Arcelor tirou 25 mil empregos do mapa - passou de 115 para 90 mil empregados no mundo. A Mittal promete a mesma coisa, passando de 165 a 125 mil empregados até 2015. A reestruturação do sistema siderúrgico mundial está se fazendo às custas dos trabalhadores.

Nós, sindicatos da América Latina, não temos que tomar parte por um ou outro grupo de acionistas. No entanto, queremos aproveitar a oportunidade para convidar a Arcelor e a Mittal para uma reflexão mais profunda, diferente da relacionada a de finanças internacionais.

Convidamos ambas as partes a se posicionarem sobre as seguintes questões:

* Será que a lógica financeira é a única possível?
* Quais valores sociais estão criando para as gerações futuras?
* Quais são as suas pretensões sociais? Como pretendem socializar os seus lucros astronômicos?
* Quando pretendem passar desta lógica financeira perversa para uma industrial e social, criadora de verdadeiros valores humanos?
 

Em particular para o continente latino-americano, queremos receber respostas às seguintes perguntas:

* Qual será o lugar do Brasil e da América Latina nos seus planos industriais e sociais?
* Qual a posição de cada grupo a respeito de:
a) Reconhecimento dos sindicatos locais como interlocutores válidos e de direito entre empresa e empregados
b) Formação do Conselho Mundial de Empresa (CME)
c) Respeito dos acordos mundiais já assinados, mas nunca aplicados na América Latina

Esperamos dos senhores diretores de ambos os grupos - Arcelor e Mittal - respostas claras e concretas a estas perguntas, além de um encontro onde estes pontos podem ser esclarecidos.


São Paulo, fevereiro de 2006

Carlos Alberto Grana
(Presidente da CNM/CUT)

José Wagner
(Coordenador do setor siderúrgico da CNM/CUT)

José Quirino
(Coordenador dos trabalhadores do Grupo Arcelor da CNM/CUT)

Participaram da composição desta resolução os sindicatos de João Monlevade, Belo Horizonte, Contagem, Sabará, Timóteo, Vespasiano e a Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT de Minas Gerais.